Google Art Project coloca acervo de 17 museus na internet

Carolina Vicentin

Publicação: 02/03/2011 07:00


                                                                                                                                                                               Detalhe do quadro O quarto, de Van Gogh: quem acessar o site do projeto pode ver as obras e acessar série de informações adicionais sobre os autores

Aprender sobre arte já foi uma coisa bem complicada. Quando surgiram as primeiras escolas do gênero no Brasil, na época do Império, os professores encomendavam réplicas das obras europeias, que viajavam todo o Atlântico antes de serem vistas pelos estudantes. Tempos depois, vieram os livros de arte, que facilitaram muito as coisas, mas ainda eram — e são — um tanto quanto caros. A era da internet, porém, melhorou bastante a vida dos mestres e aprendizes. Muitos museus passaram a disponibilizar parte do acervo em formato digital e, atualmente, há iniciativas que permitem ao visitante virtual uma impressionante riqueza de detalhes.
O Google lançou este ano um dos mais ousados projetos nessa área. Aproveitando a ideia do Street View — que dá ao internauta uma visão em três dimensões das ruas de diversas cidades —, um grupo de funcionários pensou em fazer a mesma coisa com galerias. Criaram dois equipamentos que captam as imagens internas e externas dos museus e colocaram o material no site http://www.googleartproject.com/. Ao todo, 17 instituições contribuíram com o projeto, entre elas, o Museu de Arte Moderna de Nova York, o Palácio de Versailles, na França e o Museu Van Gogh, em Amsterdã, capital da Holanda.
Na parte de fora dos museus, o “trabalho” foi feito por um triciclo equipado com uma câmera fotográfica profissional, algo semelhante aos veículos usados no Street View. Dentro, uma espécie de robô conduzido por um empregado do Google capturou imagens em 360 graus das salas selecionadas — 385, no total. Ao navegar nas galerias virtuais, o usuário pode acessar um painel com informações das obras fotografadas, outras peças do mesmo artista e vídeos relacionados ao assunto no YouTube.
Além disso, uma obra de cada museu pode ser vista em altíssima resolução, graças à tecnologia “gigapixel” de captura. A imagem fica com 7 bilhões de pixels — para se ter uma ideia, um monitor de PC de 15 polegadas costuma ter resolução de 1024 X 728, o que daria pouco mais de 745 mil pixels. Com tamanha riqueza de detalhes, é possível ver coisas até então acessíveis apenas aos restauradores de quadros. Na pintura Aparição de Cristo ao povo, do pintor Aleksander Ivanov, exposta na Tretyakov Gallery, em Moscou, na Rússia, por exemplo, dá para perceber as pessoas que estão escondidas atrás da árvore.
A professora Carla Costa Dias, da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), lembra que projetos como o Google Art não substituem uma visita presencial às galerias, mas são poderosos aliados dos professores da área. “Eu trabalho em uma instituição pública, poucos dos meus alunos conseguem viajar para a Europa ou para os Estados Unidos para conferir as peças de perto”, destaca a especialista, que é também diretora do Museu Dom João VI. “Em um curso como o nosso, é fundamental que os estudantes tenham essa parte visual, e o acesso ao livros ainda é limitado”, observa.

Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/tecnologia/2011/03/02/interna_tecnologia,240507/google-art-project-coloca-acervo-de-17-museus-na-internet.shtml

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